quinta-feira, 7 de maio de 2009

GRAFIAS


“Modo de escrever”, indica o “pai dos burros” é o significado de grafia. Contudo, como pensar o mundo, a vida, enfim, a vida no/do mundo sem pôr tal palavra no plural? Pluralidade, realidade sem igual, reveladora de escritas bem dizer inscritas na política, economia e cultura, da popular a erudita, de quem sabe e de quem não sabe o que faz, mas faz.

Porque o ser humano é assim: Fazendo uso, sem abuso, de seu conhecimento, seja empírico, científico, certamente onírico; escreve, desenha e, nunca a contento, faz uso do “re” para assim (re)fazer o primeiro, e ainda então único, invento.

Na pluralidade dessa escrita, não há quem não admita: São as grafias geométricas por vezes homéricas que fazem da Terra o mundo do homem. Porém, um mundo desumano, porque pousa na geograficidade, como diria Eric Dardel, o mais importante “re”; o (re)conhecimento que este pedaço celeste e mundano não somente é humano, haja vista também irracionalmente animal, primitivamente natural. Falta a muitos de nós tal percepção.

É com uma consciência sagrada, mediante uma Terra profana, que as grafias nos revelam o quanto as coisas do mundo se atrelam mesmo quando diferenciadas. Eis a teoria do Caos.

A grafia é a marca humana que suplanta a tenra geo (Terra). As grafias, diversidades mundanas cada uma com o seu papel. A geografia, grafia histórica, porém presente, moderna e também pós-moderna, preocupada com as coisas da Terra; migrações, chuvas, inundações, economias, culturas, políticas e, hoje até mesmo, com as emoções daqueles que fizeram e fazem uso da geografia para fazer a guerra, como revelara o magistral Yves Lacoste.

Das grafias a que mais amo, que fique claro, é a geografia! Geografia ciência moderna, portanto, moleca sapeca ainda com muito a aprender. Geografia menina criança, sempre em busca de espaços de esperança para que o ser humano no mundo possa melhor viver... Que o diga David Harvey. Geografia que sempre a contento deixa o geógrafo ao relento a observar, anotar, interpretar e ler. Geografia que tira os alunos da jaula, também conhecida por sala de aula, para mostrar-lhes a coisas do mundo, o mundo das coisas, tão difíceis, por vezes, de se realmente ver.

Essas são as grafias mundanas, porque ser humanas, importantes de se aprender, amar e viver.

Tiago Vieira Cavalcante

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